O que são posturas de poder? (e o que elas realmente fazem — sem hype)

Indagação provocante: e se a tal “postura de poder” não fosse um truque mágico… mas também não fosse besteira total — e sim um jeito simples de mexer no seu estado por alguns minutos?

Resposta direta: posturas de poder são formas de ficar em pé ou sentado(a) com o corpo mais aberto e expansivo (ombros para trás, peito mais aberto, braços ocupando espaço), usadas com a intenção de parecer e/ou se sentir mais confiante. (Dicionário Cambridge) A ideia ficou famosa com um estudo de 2010, mas a parte mais “forte” da promessa (mudança de hormônios e comportamento de risco) foi muito questionada por pesquisas posteriores e tentativas de repetição. (PubMed) O que tende a ser mais consistente é o efeito interno e pequeno: algumas pessoas relatam se sentir um pouco mais “no controle” ao adotar posturas expansivas — e isso pode ajudar como ritual rápido antes de algo desafiador. (PubMed)

Atenção: este texto é informativo. Não substitui avaliação profissional quando há sofrimento mental importante.


A história real por trás do “eu travo… mesmo sabendo o que fazer”

Determinada pessoa se preparou.

Estudou. Treinou. Fez slides.
Mas, na hora H, o corpo entrega:

  • ombro sobe,
  • respiração encurta,
  • voz falha,
  • mente acelera.

E ela pensa: “cadê minha confiança?”

Às vezes, a confiança não some.
Ela só fica “trancada” atrás de um corpo em alerta.

É aí que essas posturas entram — não como milagre, mas como interruptor de estado.


1) Definição simples: o que são posturas de poder?

É basicamente isso:

  • postura expansiva: corpo aberto, peito mais livre, olhar no nível, braços e pernas sem encolher.
  • postura encolhida: corpo fechado, cabeça baixa, ombros para frente, braços “se protegendo”.

A proposta popular é: “se eu me coloco numa postura expansiva por um tempo curto, eu posso me sentir mais confiante”. (Dicionário Cambridge)


2) De onde veio essa ideia (e por que ela virou polêmica)

O “boom” veio de um estudo (2010) que sugeriu que manter posturas expansivas por poucos minutos poderia afetar sensação de poder, além de hormônios e tolerância a risco. (PubMed)

Depois, uma pesquisa maior tentou repetir os resultados principais e não encontrou as mesmas mudanças em hormônios e risco (e isso reacendeu o debate). (Faculty Haas)

Mais tarde, uma das autoras do estudo original publicou uma posição bem direta dizendo que não confia nos “efeitos internos” atribuídos às posturas de poder. (Faculty Haas)

Em resumo:

  • a ideia ficou famosa,
  • a promessa ficou grande,
  • e a ciência pediu “calma”.

3) Então funciona ou não funciona?

A resposta honesta é:

O que parece mais provável

  • Pode ajudar um pouco no que você sente no momento (ex.: sensação de presença, firmeza, prontidão), em parte dos estudos e em parte das pessoas. (PubMed)

O que NÃO dá para vender como garantido

  • “vai mudar seus hormônios”
  • “vai mudar seu comportamento automaticamente”
  • “vai te deixar confiante do nada”

Essas versões fortes foram justamente as mais contestadas por replicações e debates. (Faculty Haas)

A leitura mais segura hoje é:
postura pode ajustar seu estado por um instante, mas não substitui preparo, habilidade e cuidado emocional.


4) Como usar posturas de poder sem cair em autoengano

Pense nelas como ritual curto de “entrar no personagem real” — o seu eu preparado(a).

O protocolo de 90 segundos (simples e discreto)

  1. Fique em pé com pés firmes e coluna mais alta.
  2. Abra um pouco o peito (sem forçar), relaxe a mandíbula.
  3. Respire com expiração mais longa por 6 ciclos (ex.: inspira 4, expira 6).
  4. Frase curta (na mente): “eu não preciso estar perfeito(a); eu preciso estar presente.”

Se te ajuda 5%: já valeu.

O “pulo do gato” (mais importante que a pose)

Use a postura para fazer o corpo cooperar, e não para “fingir poder”.
A diferença é interna:

  • fingir vira tensão,
  • cooperar vira estabilidade.

5) O que funciona melhor do que postura (mas pode andar junto)

Se você quer confiança que fica, os melhores “construtores” são:

  • preparo real (ensaiar, repetir, ajustar)
  • exposição gradual (um desafio pequeno por vez)
  • rotina de regulação (sono, alimentação, movimento)
  • apoio quando ansiedade e trava são frequentes

Use a postura como gatilho de entrada, não como promessa de transformação instantânea.


Fechamento mais incisivo

Posturas de poder não são “mentira” — e também não são mágica.

São uma ferramenta pequena para um objetivo pequeno:
ajustar o estado do corpo por alguns minutos.

E, às vezes, é só isso que você precisa para o resto aparecer.


Referências (base científica e institucional)

  • Definição de “power pose” (postura para parecer/sentir-se confiante). (Dicionário Cambridge)
  • Estudo original (2010) que popularizou a hipótese. (PubMed)
  • Tentativa de replicação (2015) que não encontrou efeitos principais em hormônios/risco. (Faculty Haas)
  • Declaração pública de coautora questionando os efeitos atribuídos às posturas. (Faculty Haas)
  • Revisão/meta-análise sobre posturas expansivas vs. contraídas e efeitos em medidas (inclui discussão do conjunto de evidências). (PubMed)
  • Síntese acessível sobre o “caminho” do tema na psicologia (visão geral). (BPS)

Leituras complementares (links confiáveis)

https://dictionary.cambridge.org/us/dictionary/english/power-pose
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20855902/
https://faculty.haas.berkeley.edu/dana_carney/ranehill.pdf
https://faculty.haas.berkeley.edu/dana_carney/pdf_my%20position%20on%20power%20poses.pdf
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32569503/
https://www.bps.org.uk/psychologist/decade-power-posing-where-do-we-stand

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